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Ministro reconhece generalização contra o agro e expõe desafio da comunicação sobre o desmatamento

Declaração de João Paulo Capobianco, exibida pelo Jornal Nacional, revela que 98,2% dos imóveis rurais brasileiros não registraram desmatamento em 2025 e reforça a necessidade de combater narrativas generalizadas sobre o setor produtivo.

Por Gilkiane

Uma declaração do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, exibida pelo Jornal Nacional na noite desta sexta-feira (16), trouxe ao debate ambiental um reconhecimento importante sobre a imagem do agronegócio brasileiro. Ao comentar os novos dados oficiais de desmatamento, o ministro admitiu que produtores rurais e o agronegócio foram, durante muito tempo, responsabilizados de maneira generalizada pela destruição da vegetação nativa no país.

A afirmação foi feita durante a divulgação dos resultados do monitoramento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontam redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Segundo levantamento que cruzou informações do sistema Prodes com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), apenas 1,8% dos mais de 8 milhões de imóveis rurais cadastrados no Brasil registraram desmatamento em 2025. Isso significa que 98,2% dos imóveis rurais não apresentaram registros de supressão de vegetação nativa no período analisado.

O levantamento considera tanto o desmatamento autorizado quanto o ilegal.

Ao comentar os números, Capobianco reconheceu a existência de uma generalização histórica contra o setor produtivo.

“Nós nos acostumamos a genericamente culpar o produtor rural e o agronegócio pelo desmatamento”, afirmou o ministro, acrescentando que essa realidade mudou significativamente.

A declaração chama atenção não apenas pelos números apresentados, mas também por partir do próprio titular do Ministério do Meio Ambiente, em um momento em que as questões ambientais continuam ocupando espaço central no debate público e na imagem internacional do agronegócio brasileiro.

O desafio de comunicar a realidade do campo

Para além da questão ambiental, a declaração do ministro evidencia um dos principais desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro: a maneira como o setor é retratado e compreendido pela sociedade.

Durante décadas, o produtor rural esteve no centro de discussões sobre desmatamento, queimadas e preservação ambiental. Entretanto, dados como os apresentados pelo Inpe demonstram a necessidade de um debate mais preciso, capaz de diferenciar os produtores que preservam a vegetação nativa daqueles que praticam irregularidades.

O percentual de 1,8% não significa que o agronegócio esteja isento de responsabilidade pelo desmatamento, nem representa a proporção da área desmatada no país. O levantamento mostra, especificamente, a parcela dos imóveis rurais cadastrados em que houve registro de supressão de vegetação.

Essa distinção é fundamental para uma comunicação baseada em fatos, evitando tanto a criminalização generalizada do setor quanto a desconsideração dos problemas ambientais que ainda precisam ser enfrentados.

A questão também evidencia que produzir dados não é suficiente. É necessário que essas informações cheguem à sociedade de maneira clara, contextualizada e acessível, contribuindo para um debate público mais equilibrado.

Comunicação será tema de congresso nacional em Brasília

A construção de uma comunicação mais estratégica, capaz de aproximar o setor produtivo da sociedade e dos centros de decisão, estará no centro das discussões do Congresso Brasileiro de Comunicação no Agro, marcado para o dia 11 de novembro, em Brasília.

O evento reunirá lideranças do agronegócio, representantes de entidades, profissionais da imprensa, empresas e especialistas para discutir a imagem do setor, os desafios da comunicação e a disputa de narrativas que influencia a percepção da sociedade sobre a atividade agropecuária.

O reconhecimento feito pelo ministro João Paulo Capobianco reforça a atualidade desse debate e demonstra como declarações e dados oficiais podem contribuir para desconstruir generalizações que acompanham o agronegócio brasileiro.

Afinal, se o agro produz, preserva e movimenta a economia brasileira, comunicar essa realidade com dados, transparência e credibilidade também é parte fundamental do seu futuro.